Dedicatória.
Para Eu, Compadeço de ti, Mas não te entendo...
Prólogo
Minutos atrás tive vontade de escrever. Passou como eu passei pela tua rua. Mesmo sendo que, quem sabe, eu nem saiba onde você mora. Criei um Eu fictício.
Capítulo começo.
Pela manhã eu penso em acordar cedo! Mas só se não for cedo demais pra acordar! A tarde penso em escrever um funk, à noite, penso em escrever um livro, de madrugada quero agradecer ao pai, que me mandou pra vida sem roupas, sem virtudes e sem ele, beijar a mãe que cai deitada, sempre cansada em demasia, demasiadamente santa. Se sobrar tempo, espero poder deixar a cabeça compor alguma fanfarra festiva que acorde toda vizinhança, em algazarra, pra vida toda que ainda resta, acamada e infeliz pendendo de suas narinas sujas de poluição. Mas, às vezes...
Capítulo depois.
Existem notas demais pra uma só canção, ou faltam palavras para a melodia Frases sem ponto, sem juízo e final. Por acaso, sem sorte. Sem sombra de dúvida, morte! Existiu a noite que muita força me forçava pro seu quarto, eu com muito esforço caminhei em linha reta, com medo de mirar os lados (quem sabe não te via em minha sombra). Foi o que eu deixei quando passei por lá, minha sombra se esfregando no chão imundo, sujo dos sapatos, que, sabe lá o Pai por onde andaram. Quais bordéis ou lojas, igrejas ou inferninhos, casas e alcovas de lençóis untados de pecado, ou não (afinal como se peca?!). Não vale muito de sua escuridão tenebrosa, mas repare moça, ela sempre anda comigo, escorrendo dos meus pés sempre cobertos e ligeiros (abobados quando invento de dançar ou espernear o que não consegui). Existiram os momentos em que massacrava a noção de se portar mediano. Não ruim nas coisas que se mete a fazer, igualmente, não bom demais. Medíocre, pois. Estagnado. Pleno de inércia. Pleno de vazio. Falando em plenitude...
Capítulo sozinho.
Às vezes, estar só é muita gente pra estar, pra quem não curte estar com muita gente. Quis dizer que o caminho pra casa esfria e alonga. Falar sozinho, pros outros, pode parecer coisa de maluco, e que, às vezes, nem se culpar dá certo (até a culpa abandona!), e sempre, quase sempre, toda noite tem algum sussurro indecifrável de alguém que não se identifica. Nunca, quando se está só, parece certo estar. Quando acompanhado, solidão parece não apresentar o chicote. Com maestria se entende a hora de ficar e se partir. Me parti (assim escrito errado mesmo). E fiquei esperando os aplausos finais quando terminei. Sabia que estava só, mesmo assim, esperei as palmas... Que nunca viriam... Que nunca vieram... Que nunca ouvi. Show pra si mesmo não faz sentido, me disse (eu), desci do palco, sentei na cadeira mais feia. Beijar fotografia não tem gosto, saudades do que não aconteceu (coisa mais sem graça, clichê), chorar em frente ao espelho (a culpa não é sua). Cola retratos nas paredes, deixa a luz acesa, ouve uma canção engraçada, ri, finge um monte de coisa (a situação não é assim), dá boa noite pra quem que não está ao lado, deita, vai ao banheiro, torna a deitar, fecha os olhos, suspira. Adormece.
Capítulo etéreo.
“Você ainda pode sonhar”. Grande coisa, todos podemos, a noite escorrega pra que se sonhe, daqueles sonhos que se acorda mesmo na manhã seguinte. Rola na cama pro lado, põe-se de quatro no chão, tosse, repara que não é doença, que o sol é lindo, o céu abraça o mundo, se acomete uma esperança, dá bom dia pro dia, segue a vida sorrindo. O dia passa, anoitece, faz planos pro dia seguinte... Assim por fim
Capítulo último.
Termina de escrever o que não tinha vontade. Cola retratos nas paredes, deixa a luz acesa, ouve uma canção engraçada, ri, finge um monte de coisa (a situação não é assim), dá boa noite pra quem que não está ao seu lado, deita, vai ao banheiro, torna a deitar, fecha os olhos, suspira. Adormece.